quarta-feira, 7 de outubro de 2009
Um floco de neve bonito e exclusivo.
 Uma das piores frases que alguém pode dizer para mim, em qualquer situação, é: "não é só com você, sou assim com todo o mundo". Sempre, como complemento, ainda tenho de aguentar a expressão de dever cumprido, circunstâncias atenuadas no rosto do interlocutor. Sinceramente, preferia ouvir "o problema é em relação a você". Seria mais digno. Como alguém pode achar que generalizar e me incluir na multidão de anônimos coberta pelo "todo o mundo" me deixa "menos triste"? Acho no mínimo uma falta de senso! Não faço nenhum libelo ao desvio ou a idiossincrasia; apenas que estar no impessoal "todo o mundo" é doloroso. Muito mesmo.
Essa é uma daquelas expressões repetidas a esmo de maneira impensada e inconsequente. Não digo que jamais disse/jamais direi, mas mesmo inconscientemente isso não sai da minha boca. Primeiro lugar, por que ñao consigo pensar em absolutamente nada ou nenhuma situação em que diria isso; mesmo sendo fiel discípulo de Chuck Palahniuk e acreditando firmemente que ninguém é único e individual "um floco de neve bonito e exclusivo", a minha soma com cada pessoa resulta em um produto diferente. Isso sim é único e individual e minhas ações/relações/sentimentos dificilmente serão os mesmos. Depois, que, para mim, isso beira a uma certa crueldade... Se a situação é a mesma para todo o mundo, cadê o caráter especial do contato com o sujeito? Não há. Afinal, ele não apresenta relevo algum a ponto de receber considerações, pesos e medidas diferentes.
Vamos e venhamos, lá no fundo, quero ser o floco de neve bonito e exclusivo. Ou, pelo menos, acalentar essa esperança sem que ela seja arranhada. Marcadores: clube da luta, floco de neve, reflexões, umbigo
The Optimistic - 10:49:00
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domingo, 13 de setembro de 2009
Sobre se sentir meio arroz-com-feijão. (Ou meio pequenino).
Não é a primeira vez que escrevo sobre isso. Creio que da outra vez até utilizei esse mesmo título. Ocorre que essas sábias palavras de Fernanda Takai e sua trupe são muito adequadas pra verbalizar um sentimento tão recorrente em mim: me sentir meio arroz com feijão. Certa vez, conversando com um amigo, disse-me ele que talvez seja isso do que a vida adulta se trata: aceitar e viver meio arroz-com-feijão. Verdade que até aceito isso. Entretanto, há momentos em que a certeza se faz mais forte; um momento meio Macabéa, jogada ao lado do meio-fio, um fino fio de sangue escorrendo testa abaixo, toda a estupidez da própria existência se revelando brutal, sem bombons doces, sem filtros cor-de-rosa. Um grande e acachapante "você é muito pouco". Bate meio que uma tristeza nessas horas. A gente gosta de ter as coisas em alta conta, que dirá, então, de termos nós mesmos em alta conta? Acho meio ridículo quem se acha muita coisa, mas acho um pouco triste quem não se acha nada. A velha máxima desgastada do meio termo? Sabe que não sei? De outra vez, conversando com outro amigo, conversavamos sobre um determinado livro. Reclamava ele do rótulo dado pela crítica, "um livro menor na obra do autor". Dizia ele que, talvez, todo seu carinho pelo livro viesse justamente dessa denominação. Considerava a si próprio pouca coisa, algo menor frente o mundo. Achei meio triste a observação. Não é o caso de se considerar menor. Elimina-se o adjetivo comparativo de inferioridade e utiliza-se simplesmente "pequeno". Me sinto pequeno o tempo todo. Não que isso seja demérito. O mundo é grande demais e encarar certas coisas e se sentir pequeno, considero normal. Somos todos pequenos. E, felizmente, igualmente pequenos. Lembro de "2001" na cena em que o computador é desligado e o astronauta se vê sozinho. Tão sozinho como nenhum homem jamais esteve. E, contemplando o universo, pequeno. Tão pequeno como jamais qualquer ser humano já se sentiu. Talvez, seja isso. Hoje é um daqueles dias em que me sinto pequeno. Marcadores: 2001, Pato Fu, reflexões, umbigo
The Optimistic - 01:16:00
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quinta-feira, 13 de agosto de 2009
Tempo, espaço e espaço-tempo.
Acho que desde sempre tive essa vontade de pular etapas, de queimar eventos antes do seu momento. Sempre senti vontade de ir além do meu tempo. Não o tempo em que vivo, não a contemporaneidade. Quando digo "meu tempo" digo a fase que vivo, o momento em que me encontro, o lugar em que me encontro. Lugar. Ainda há pouco estudava um dos maiores problemas epistemológicos da geografia: encontrar um método analítico suficiente que não dissocie espaço de tempo. A constituição suficiente do que chamamos de espaço-tempo. Que são inseparáveis, ninguém discute. E são inseparáveis na unidade que possuem. Se são unos nos permitimos tomar um pelo outro. Quem, ao ser perguntado sobre a distância de um lugar ao outro, nunca respondeu algo do tipo: "uns cinco minutos de caminhada"? Assim como, quem, ao ser perguntado sobre a época em que algo ocorreu, nunca respondeu algo do tipo "na época em que"... e completou com uma descrição de um lugar? Então, agora venho discursar sobre o lugar em que me encontro. Seria lugar ou seria tempo? Meu lugar em sua acepção mais vulgar de espaço físico não me incomoda. Talvez, uma ideia de lugar enquanto conjugação de práticas, vivências, virtualidades e possibilidades. Um lugar que é só meu. Mas toma-se tempo para se mudar de lugar. Ou traduzindo em termos temporais-espaciais, é necessária uma longa caminhada para mudar de tempo. Acontece que eu sempre quero dois passos a frente. Sempre quero dois dias a frente. Fica a sensação de ansiedade perene. Dizem que o tempo pode aniquilar o espaço. Comprimir o espaço. Velocidades altíssimas que reduzem as distâncias, ao menos, em termos virtuais. E virtual aqui nada tem a ver com o meio cibernético. Virtual como aquilo que tem potencial, mas ainda não é. Ocorre que espaço não é apenas distância; possui outras propriedades: ausência, presença, inclusão, exclusão, segregação... Na minha busca por velocidade, posso aniquilar certas distâncias - jamais o espaço! E creio que até já aniquilei algumas. Mas fica sempre algo amarrado, algo preso. Aquelas outras propriedades do espaço, do meu lugar, que não posso aniquilar. É por essas que me reclamo. Quem quer rapidez, vai de metrô, mas perde a paisagem. Talvez, seja o momento de começar a valorizar os carros de superfície. E, contemplando a paisagem, valorizar meu espaço atual. Valorizar o espaço que é a paisagem animada pela vida. Marcadores: espaço, espaço-tempo, geografia, reflexões, Tempo, umbigo
The Optimistic - 16:09:00
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sábado, 2 de maio de 2009
Daquelas coisas que a gente não entende
Sou completamente apaixonado por esses versos de (I Can't Get No) Satisfaction: But he can't be a man'Cause he doesn't smoke the same cigarrettes as meAcho que gosto pelo egoísmo pequeno, pelo egocentrismo deslavado que existe na frase. De fato, hoje, realmente estou meio caidinho pelo lado pouco bonito da vida. Marcadores: reflexões, rolling stones
The Optimistic - 00:03:00
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sexta-feira, 1 de maio de 2009
caio f.
Eis que depois de tarde de amores, beijos em pé de orelha e juras explícitas ou implícitas vem uma vontade forte de voltar a ler Caio Fernando. Uma vontade de ler desamores, infortúnios, tristezas agudas e toda a beleza que envolve o lado meio escuro da vida. Não é vontade de sofrer, não é vontade de dramatizar o que não existe, nada disso. Apenas que tudo que é doce tem um profundo amargo como contrapartida. Lá do outro lado da maré calma existe a tormenta perigosa - que pretendo manter longe. É que existe tudo aquilo do que não podem me salvar, por mais que gostariam. Existe o lado triste da vida de ter de lidar com os desastres cotidianos, por mais ínfimos que sejam. São as contas que ñao fecham, a impaciência dos que não conseguem entender seus atos, a sensação de impotência diante do que você considera errado, as pequenas injustiças que vitima mesmo sem que se deem conta. O lado menos glamouroso da vida, que muito pouco mostramos por aí. E Caio F. consegue explorar esse lado sandália de dedo da vida. Essas dorezinhas finas, sujinhas que não geram um vencendor de Cannes, do prêmio da academia, nem do Urso de Prata, mas que brilham em todos os momentos Sundance que nossa existência banalíssima (frente a grandiloquência e dramaticidade do Universo) pode ter. Daquele tempo nem tão distante, daqueles dias que até hoje duram às vezes duas, às vezes duzentas horas, restou esta sensação de que, como eles, também me vou tombando rápido dentro da boca de um vulcão aberto sem fôlego nem tempo para repetir como numa justificativa, ou oração, ou mantra, enquanto caio sem salvação no fogo que é verdade, que si, que no, que nadie puede mismo vivir sin amor. E viva esse lado da vida. Marcadores: caio f., reflexões, umbigo
The Optimistic - 23:28:00
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domingo, 22 de março de 2009
we are accidents waitting to happen.
Sexta-feira, 20 de março de 2009. Praça da Apoteose, Cidade (nada) Maravilhosa, Rio de Janeiro. Depois da aventura de meados de dezembro com o show da Madonna, Radiohead + Kraftwerk tornou-se minha segunda incursão pelo mundo dos shows internacionais - e megaeventos. Para além do delírio de assistir ao vivo aquela banda que, dúvida alguma me deixa exitar, é a banda mais importante da minha vida, assisti a outro tipo de espetáculo: o do bom comportamento. Minhas preferências musicais pouquíssimo gerais para o padrão brasileiro, somado a uma dureza crônica que acomete os que vivem as custas dos pais, pouco me permitiam freqüentar o metiê reservado aos espetáculos que de fato me interessavam. Na falta do que fazer e na inércia irritantemente bovina da adolescência, vez por outra me via envolvido em eventos gratuitos ou pagos - a baixo custo, lógico, mas todos eles via de regra populares. O ingresso na vida adulta (?) e as responsabilidades de gente grande também me legaram a possibilidade de poder pagar (ainda que não tão barato) e ver o que realmente quero.
Ainda assim, meu passado me legou um know-how de comportamento em eventos que acho difícil um dia apagar dos meus costumes, representados, mais expressivamente, pelo hábito de, quando em meio a grande público, girar os olhos a todo o tempo, para todos os lados, prevenindo contra qualquer tipo de casualidade que venha de qualquer direção. Know-how esse, que pude dispensar tanto no dia 20/03 quando em dezembro. Mesmo na minha curta vidinha, já presenciei atos dos mais banais, porém ofensivos (nudez pública, desrespeito a liberdade do outro, cenas escatológicas) até atos realmente graves (violência física e vandalismo, em linhas gerais). Cabe ressaltar: todos eles em eventos gratuitos e/ou populares. (Já me pergunto da necessidade de utilizar e/ou para relacionar gratuito com popular - me parecem sinônimos).
O fato é que depois de freqüentar dois eventos com públicos acima dos 20mil espectadores e não presenciar qualquer tumulto, confusão ou ato de violência explícita, me perguntei o porquê da diferença gritante para com os eventos populares. Ao comentar com as mais diversas pessoas sempre ouvia como resposta a inevitável observação de que "o preço do ingresso seleciona". Seleciona?
Tomando o caminho mais comum, me bateu uma vontade irresistível de ir ao dicionário e procurar o significado do verbo selecionar. Eis que encontro: "Fazer a seleção de; escolher, separar". Pois bem. E o que foi selecionado, escolhido ou separado? Um público bom de um público ruim? E quais parâmetros medem um público bom de um público ruim? Dezenas deles poderiam ser utilizados, entretanto, atenho-me a um em especial: o comportamento.
Dizem que antes do começo dos espetáculos do dia 20/03 houve empurra-empurra, corre-corre e algumas pessoas passaram mal, porém ao longo de todo o show nada disso foi registrado. Perto que estava do pronto-socorro, ocorrência alguma observei. De fato, até mesmo os médicos - aparentemente, sem trabalho - saíram de sua cabaninha branca e vermelha para conferir a piroctecnia britânica do Radiohead. No show da Madonna a dimensão do espetáculo (pelas minhas contas umas três vezes maior do que o Just a Fest) e a posição dentro do Maracanã em que me encontrava podem me ter diminuído o raio de perspectiva, mas combinando o que observei (dentro do estádio e no metrô) somado ao que ouvi de pessoas em outras partes do evento, posso inferir que nenhuma ocorrência digna de nota tomou lugar durante o show. Resta a pergunta: por que a diferença?
Desnecessário dizer que o alto preço dos ingressos (relativamente a outros tipos de diversão) certamente afastou segmentos mais populares. A questão aqui não é avaliar o porquê da diferenciação de público, mas o porquê do comportamente diferenciado.
Será que realmente viver sob condições mais difíceis, muitas vezes indignas, seja sintoma de baderna, confusão e vandalismo? Por que dessa necessidade de depredação física e moral? Algum tipo de necessidade de liberação de energias que só toma espaço quando existe a possibilidade de divertimento gratuito? Todas questões que parecem ter resposta óbvia: ao baixo nível econômico atrela-se o baixo nível de educação (formal e familiar). Ou seja: também outra questão, aparentemente, superada. Todavia, será que a pobreza econômica, cultural, educacional é realmente justificativa para comportamentos tão deploráveis? Ou será que por aqui, em geral, quando não se paga a conta não se sente a necessidade de emitir respeito?
Parece-me que o comportamente em eventos gratuitos segue a lógica que permeia nossa sociedade com relação ao que é público: o que é gratuito/público é ruim e não tem dono: dirime-se o usuário da necessidade de respeito e zelo. Em um país em que o que pertence a todos e, ao mesmo tempo, a ninguém é constantemente violentado em todas as esferas - dos governantes que superfaturam obras ao cidadão médio que armado do famoso "jeitinho" tira proveito de algo público - fica difícil esperar que mesmo quando a questão recaia sobre cultura o comportamente seja diferente. Percebo a instalação de uma mentalidade de segregação: quem pode pagar se afasta do que é gratuito com medo de tudo e com preconceito sobre a qualidade; quem não pode pagar parece fazer pouco caso do que tem e para além do papel da liberação de energias e da miséria educacional no hábito de destruição, enxerga ali um momento para zombar do que é público e gratuito e manifesta, mais uma vez, a mentalidade de depredação do que é "de ninguém". Desse modo, esse tipo de comportamento seria apenas um espelho da mesma questão que explica a depredação de escolas públicas pelos próprios alunos, depredação de orelhões pelos usuários que deles mais necessitam, violência (principalmente verbal e moral) para com os prestadores de serviços públicos (faxineiros, motoristas, garis, etc).
Sinto-me cada vez mais inclinado a negar minha presença nesses eventos "populares". Primeiro porque se instala em mim uma idéia de freqüentar apenas o que gosto - ainda que não haja nada melhor para fazer e, como já disse nas primeiras linhas, muito pouco do que é geral em nosso país me interessa. Segundo que se abate sobre mim o medo. Medo não apenas de violência física, mas medo de conviver com a mentalidade tacanha da zombaria ao público. E isso não fere o corpo, mas fere a alma. Marcadores: filosofia-de-botequim, madonna, radiohead, reflexões, sociedade
The Optimistic - 02:23:00
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sexta-feira, 20 de março de 2009
all we need is love (?).
Sigo me equilibrando entre tropeços, alegrias e passagens impessoais. Lembro a todo o tempo Rubem Fonseca quando ele diz que queremos ser amados até mesmo pelos nossos algozes. Será tão forte assim essa vontade em mim? Será que me esforço tanto por aceitação? A adolescência (e toda a carga de insegurança), por mais que esticada, há tempos esvaece, dia após dia, e, em seu lugar, a idade adulta aflora em seus aspectos mais prosaicos e mais práticos. Não, não ofereço resistência ao passar do tempo. Apenas que ainda conservo em mim muito da pessoa que fui há sete anos atrás. Inseguro, procurando aprovação constante. Não sei se lido muito bem com a falha, com a rejeição. Sei que consigo esconder muito bem as frustrações, mas não sei se realmente as supero. Lembro, então, de um tempo em que sentimentos se avolumavam debaixo da pele e por medo os escondia. Sempre tive a intenção de ser meio super-homem - aos olhos do mundo. E o que ganhei com isso? Força? Acho que um pouco.
Ainda continuo nessa luta por dissimular tudo aquilo de que sinto vergonha de sentir. Até acho que ultrapassei um pouco a barreira do momento pueril em que as opiniões que possam recair sobre mim me atinjam com violência, mas ainda necessito aprovação. Tenho uma necessidade constante de olhar ao redor e ver sorrisos complacentes, mãos estendidas e congratulações. E nao seria essa necessidade, uma necessidade de ser amado? De certo modo, nao seria aprovação uma forma de amor? Lá no fundo, tudo o que precisamos é amor?
Observo as pessoas e vejo suas atitudes. Vejo tanta insegurança em todo o mundo. Tenho vontade de perguntar: onde você esconde sua insegurança? Porque é o que vejo em quase todos sem exceção. INseguraça. Que dias bandidos são esses em que temos medo de amar, de trabalhar, de criar, de se arriscar? Não percebo coragem naqueles que se atiram despudorados. Percebo despreendimento, talvez inconseqüência, mas jamais coragem.
Talvez, a insegurança seja combustível para atingir objetivos maiores; combustível para tentar com mais afinco. Entretanto, existe um ponto em que ela paraliza. Nâo, não paraliza ações. Paraliza ações que possam ser conhecidas por outros. Bate uma vontade de agir apenas no escuro, de fazer segredo das coisas que tento, fazer segredo dos meus defeitos. Seria tão mais fácil possuir duas faces: uma para ser exibida pelo mundo, outra para guardar tudo aquilo sobre o qual não quero que emitam opiniões. Não seria essa a face que Eleanor Rigby tenta esconder com a que guarda na jarra perto da porta? Ou o retrato de Dorian Gray que, trancado no porão, absorve o passar de todos os dias de sua existência pouco orgulhosa?
Não quero ser Dorian Gray ou Eleanor Rigby. Faz-se tempo de mudança e, curiosamente, começo a percebê-la em alguns aspectos. Em outros, me vejo a léguas de conseguir alteração significativa. Talvez com o tempo. Marcadores: amor., insegurança, reflexões, umbigo
The Optimistic - 10:11:00
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sexta-feira, 30 de janeiro de 2009
Uma fome sem fim.
E existem dias em que mesmo com toda a felicidade do mundo (ok, quase toda) ainda falta algo. E vc procura. Em gavetas, bolsos, entre as páginas de livros, em outras pessoas, naqueles que ama, em quase todos os quais sente algo particularmente não muito gracioso... Procura-se. Mas não se encontra. Pequenos erros se transformam em desastres e uma leve decepção, por mais banal, mais simples ou corriqueira, ganha ares de grande tragédia. SOmatizam-se milhares de errinhos pequenos, conjurando um dissabor tremendo. Tudo se avoluma e começam a pulular as perguntas, principalmente aquelas, das quais você insiste em fugir e fazer de conta que jamais teve curiosidade em saber a resposta. Três batidas à porta e o futuro assoma muito pouco glorioso.
Surge a necessidade de compartilhar. Tirar um pouco a carga do ombro e tornar mais leve os dias. Mas com quem compartilhar? Há aqueles que lhe dirão para deixar de bobagens, veja quanta coisa tens. Há aqueles outros que tomarão para si culpas e dores e muito pouco entenderão que nada tem que ver com as suas questões. Não porque o papel que representam para ti é pequeno, mas porque existem coisas das quais nenhum ser humano pode salvar outro. Existem coisas que transcendem qualquer afago ou carinho. Existem coisas que apenas existem.
Então, você pensa nas possibilidades de mudança. Mas onde está a força para colocar diversas coisas em práticas? Principalmente, para colocar em prática diversas coisas que nem de longe são certeza. São apenas promessas. E nesses dias em que os urubus resolvem sobrevoar seus céus azuis, é muito difícil acreditar. Seja no que for.
Você dorme de barriga vazia, com uma fome sem fim. Fome de comida, fome de futuro, fome de certeza. Toma um copo d'água para esconder a fome. Não come mais por birra e preguiça do que por real falta de vontade. Mas, continua ali, a dor ácida dos líquidos que vão lentamente corroendo seu estômago pedindo, pedindo, pedindo. Só que hoje você se sente particularmente fraco para atender a esse pedido. E assim se deita. É muito mais fácil deixar de lado, passar por cima, ignorar o que te aflige. COmo são mais tentadores os caminhos fáceis.
Você deita por resignação, mas, principalmente, pela certeza de que amanhã essa prostração vai passar. Você se levantará, andará até a cozinha e matará a fome. Talvez, não seja o suficiente para aplacar a sua necessidade interminável, mas o bastante para te acalmar.
Até a fome voltar outro dia. Marcadores: fome, reflexões, umbigo
The Optimistic - 13:06:00
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sexta-feira, 19 de dezembro de 2008
VDA - Viciados em Drama Anônimos (ou Fazendo a Amy Winehouse).
Talvez, um certo pessimismo exagerado colabore para uma tendência em duvidar de qualquer alegria que possa vir a acontecer-me. Uma pequena neurose (a la Woody Allen, claro), uma vontade, uma necessidade de um pequeno drama para fazer a vida mais forte, mais presente, mais sensível. Drama puro, em suma. Algo semelhante aos narcóticos que necessitam de drogas (em doses cada vez maiores) para sentirem. Sentirem o quê? Sentirem. Tudo protegido pelo escudo do inconsciente - que, aliás, é uma das melhores invenções da ciência moderna: tudo pode ser escondido, culpado e acusado nele. Mas a existência dessa ação inconsciente é consciente! Procuro, então, me policiar, certas vezes, para não resvalar numa negação completa da felicidade.
Loucura? Comecei a atentar para certo dito. Diz-se em um filme que muito gosto: "Após certos acontecimentos, você não deixa a felicidade entrar sem uma revista completa". Bingo! Não seria isso? Depois de tanta porrada, fica mais difícil aceitar que qualquer coisa seja felicidade. Não seria apenas mais um engano? Mais um passo errado? Obviamente, a coisa toda pode descambar para a paranóia generalizada e - ai, meldels! - happiness never more (nor in neverland). Apenas, que há certo sentido em sentir certo medo dela.
No mais, quem não tem medo do desconhecido que atire a primeira pedra, mas cuidado que de telhados de vidro o mundo está cheio. Afinal, quando quando vem a felicidade, normalmente, está associada a fatos novos, realidades novas. Novidade é (quase) sempre desconhecida. E o desconhecido mete medo.
Marcadores: reflexões, umbigo, Vanilla Sky, woody allen
The Optimistic - 14:13:00
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quarta-feira, 17 de dezembro de 2008
- explosão! - (ou falta de tesão mesmo).
"O senhor Elliot era racional, discreto, educado, mas não era franco. Nunca havia uma explosão de sentimentos, nenhuma indignação ou deleite acalorados perante o mal ou o bem dos outros. Para ela, isso era decididamente um defeito. (...) Ela gostava, acima de tudo, de pessoas francas, sinceras e impulsivas. O ardor e o entusiasmo ainda a cativavam. Ela achava que podia confiar mais na sinceridade dos que por vezes diziam uma coisa imprudente e precipitada do que na daqueles que nunca perdiam a presença de espírito ou cuja língua nunca tinha um deslize". (Jane Austen - Persuasão) Miss Austen sempre se provou fina observadora dos costumes do seu tempo e da natureza humana. Mas essa observação, bastante precisa, me pegou de jeito. Leio Persuasão pela segunda vez, mas antes, jamais havia reparado nesse trecho. Não sei se minha simpatia vem de uma vontade (necessidade?) em justificar certas explosões de sentimentos ou de uma genuína crença no que ela diz. Talvez, seja mais acertado pensar do segundo modo, tendo em vista que já havia pensado nisso antes.
Ao mesmo tempo que ñao gosto dos plenamente inconseqüentes, tenho certa dificuldade em lidar com os excessivamente contidos. Não pela questão da confiança. Em verdade, apenas lendo o texto que percebi no perigo de se confiar em quem possui paz demais; há todo o tempo há cálculos e medidas, jogadores, em suma. Fiava minha antipatia na falta de paixão. Para mim, não há nada pior que gente sem paixão, sem tesão, seja lá pelo que for.
Não há nada mais belo que a vivacidade apaixonada de alguém falando sobre o que ama: um hobby, uma música, um filme, outra pessoa... Isso sempre me atrai e encanta. Adoro as pessoas apaixonadas. Não no sentido apaixonadas-por-alguém. Apaixonadas sem complemento: apaixonadas. Pessoas que conseguem amar e se expor enquanto seres amantes - novamente, seja lá pelo que for.
Tenho medo daqueles em que a frieza (ao menos aparente) impede de se derramarem em público ou se declararem. O que os impede de qualquer ato que necessite de certo sangue frio? Esses eu dispenso.
Marcadores: jane austen, persuasão, reflexões
The Optimistic - 21:20:00
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domingo, 7 de dezembro de 2008
(Falta de) Razão e (In)Sensibilidade.
Duas cenas do cinema recente me chamam bastante atenção. Na verdade, me encantam. Pensando nas duas, agora há pouco, percebi como são parecidas - ainda que em contextos absurdamente diferentes. De todo o modo, são dois pequenos momentos de filmes grandiosos (ok, um deles tem tendência minimalista, mas isso é papo para outra conversa) que passam desapercebidos a um olhar menos atencioso e delicado. Justamente por tratarem de delicadeza. 
Cena 1: No meio de sua crise de meia idade Bob Harris liga para a esposa. Fala de mudanças, de planos, de felicidade e várias coisas. A esposa, completamente insensível, responde: "Bob, eu preciso me preocupar com vc?". Desolado ele diz: "Apenas se você quiser".  Cena 2: Grávida, soropositiva e freira a personagem de Penélope Cruz recebe a visita da mãe que, até então, nada sabia do seu estado. A mãe confusa pergunta: "Rosa, o que você quer que eu faça"? Rosa olha com comiseração e cansaso e apenas responde: "Nada". Bob Harris não queria envolver a mulher na crise, mas queria toda a ajuda dela para sair. Rosa, num filme em que todos possuíam atitudes de mãe para com os outros, era a única a possuir uma mãe (no sentido biológico) na tela. E essa mesma mãe a única a não agir como tal. _ Indelicadeza e insensibilidade perpassavam as duas cenas. Por não notar e não perceber as necessidades do outro. Fica óbvio que, a partir do momento em que a pessoa ñao se expressa e não deixa claro o que precisa, é extremamente difícil para o outro saber como agir e até mesmo saber que alguma ação é necessária. Por outro lado, existem situações tão gritantes e, ao mesmo tempo, tão difíceis de serem explicadas, que fogem de qualquer necessidade de pormenores. _ Possuo uma dificuldade extrema em verbalizar sentimentos. E boa parte deles apenas consigo aqui, entre a cadeira e o teclado. Seja diretamente no blog, seja ficcionalizando, nos meus contos. Ou de um jeito ainda mais delicado: assistindo a filmes e me vendo em diversas personagens. Talvez, por isso, goste tanto das duas cenas. Vejo-me nessa situação várias vezes. E isso gerou em mim algo curioso: um senso de sobrevivência e uma vontade-necessidade-habilidade para curar minhas feridas sozinho. _ Tenho pânico de necessitar de alguém para qualquer coisa, principalmente para curar meus sentimentos. Mas há vezes em que a autosuficiência cai por terra. Em outras vezes, os problemas residem justamente ao lidar com outras pessoas e acabo a mercê da percepção alheia. Tudo seria mais fácil se eu soubesse falar, mas ás vezes me vejo mudo. E só. Marcadores: almodóvar, filmes, lost in translation, reflexões, sophia copolla, tudo sobre minha mãe, umbigo
The Optimistic - 23:09:00
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sábado, 6 de dezembro de 2008
Vicky Christina Barcelona
Apesar do título, nao é um texto sobre o filme. Pretendo fazê-lo em outra hora. O que me anima a escrever, entretanto, é o filme. Confuso? Não. Explicando melhor. Foi meio chocante observar a Scarlett Johansson no filme. Uma certa felicidade ao vê-la em pleno domínio da arte. Uma mulher. Muito longe da menina que encantou em "Lost in Translation". São personagens diferentes, com personalidades, vidas e, principalmente, destinos completamente diferentes. Mas ver a Scarlett fazendo papel de gente grande me fez lembrar automaticamente da menininha perdida no ínicio da fase adulta de "Lost". Me bateu uma pontinha de tristeza quando lembrei que ela tem a minha idade. Ainda estou meio melancólico depois do filme. Há muito tempo que não tinha essa sensação de ser como a Charlotte e de uns dias pra cá retorna esse sentimento. Essa sensação de isolamento, de não pertencimento. Uma vontade de fugir do mundo pelo simples fato de que o mundo não se adapta a mim (e jamais se adaptará). Ver a Scarlett no filme e perceber esse contraste brutal, me fez perceber como ainda sou muito Charlotte. Eu que achava que havia passado para uma outra fase me vejo arremessado nela. Não, não arremessado nela. Nunca saí. O que me lembra até uma das cenas do filme que mais gosto. Quando a tiazona-ruiva-perigute abre a porta do quarto, o desapontamento acachapante que fica evidente no rosto da Charlotte pouco tem a ver com ciúmes. Não. Apenas que o Bob conseguiu quebrar o círculo muito pouco virtuoso ao qual estava inserido. Conseguiu tocar o mundo, conseguiu estabelecer contato. E ela? Ela continuava no mesmo lugar em que estava. E pior: agora sem ele. Foi exatamente o que senti quando a vi no filme. Óbvio que começo a misturar estações, idéias e conceitos. Justamente isso explica meu estado de espírito: sentimentos confusos. Vicky Christina Barcelona mexeu comigo em duas dimensões. Mexeu pelo filme fabuloso que é em si. Todavia, mexeu em mim também nesse aspecto completamente pessoal (e um pouco esquizóide, vamos e venhamos) da minha "relação" com Charlotte/Scarlett. Voltei pra casa com uma vontade cruel de rever o filme. Isso não é novidade. A novidade é um certo temor. Falta-me coragem. Acho que nunca deixei de cantar "Just Like Honey". Marcadores: charlotte, lost in translation, melancolia, umbigo
The Optimistic - 02:17:00
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Síndrome de Estocolmo*
Sempre fui um pouco fascinado pela "Síndrome de Estocolmo". A idéia de que em uma situação hostil a pessoa acaba se apaixonando por aquele que menos lhe agride, sempre me soou fantástica. Me parece meio óbvia, mas ao mesmo tempo é uma daquelas obviedades que necessitam alguém para puxar o fio e dizer "hey, olha ali" e, então, tudo fica claro. Não sei se influenciado por essa minha fascinação tendo a enxergar a síndrome em tudo e todos. Mesmo nas relações mais cotidianas e banais (relações de trabalho, por exemplo). Obviamente, nem sempre se tratam de paixões. Alguém pode descobrir uma afinidade não por motivos comuns e casuais, mas por encontrar abrigo em um ambiente de hostilidade e daí começar a desenvolver sentimentos (que não necessariamente perpassam pelo amor, mas, talvez, admiração, amizade, carinho) por aquele que lhe proporciona melhor tratamento. E como não poderia deixar de ser acabo por começar a enxergar isso também nos meus relacionamentos amorosos. Não sei se influenciado por essa minha fascinação (II) ou se muito mais pela minha auto-estima um tanto quanto detonada, acabo por achar que sempre a lógica que opera meus relacionamentos é o da síndrome. Me considero um cara bacana. Assim como aquela moça também fui criado na igreja do "seja legal com os outros e coma de boca fechada". Acho que acabo sendo meio ponto de apoio em ambientes hostis. Mas vá lá. Ainda que fruto de uma pretensa síndrome teriam esses sentimentos menor validade? Ou será que isso não traz demérito algum? Afinal, o ponto central para onde convergem todos os sentimentos (tenham que natureza for) será sempre o objeto amado. Nem sei. Ando numa fase de pouquíssimas conjecturas. (Vide o hiato brutal no blog). E, desse modo, essa pergunta nem de longe constitui problema. Mas lá no fundo, ouvir ecoando essa pergunta dá uma certa ponta de tristeza. A gente quer sempre acreditar que somos o centro de vários umbigos. Mesmo os que não os nossos. *Não, não é a música do Muse! :P Marcadores: pseudopsicologia, reflexões, umbigo
The Optimistic - 01:59:00
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sábado, 16 de agosto de 2008
Exercitando uma leve arrogância...
Ontem alunos me perguntaram o que era "obsoleto", algumas semanas atrás fui questionado quanto ao que queria dizer "inconveniente" e já aconteceu de mais de 90% de uma turma não saber o que era "fauna". Detalhe: turmas de ensino médio. Lembro que no 1º Ano do Ensino Médio eu lia Huxley, Orwell e García Marquez. E não sou uma exceção... Lembro que a troca de "figurinhas" culturais entre meus colegas de sala era intensa. Fico muito preocupado não com o futuro dessa geração. Quem é medíocre por vontade que chafurde na mediocridade. Mas o que será dessa sociedade? Construída por pessoas cujo auge do capital cultural é o Ivete Sangallo MTV Ao Vivo (o dvd mais vendido do Brasil) ou a última temporada de Malhação?
The Optimistic - 10:24:00
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quarta-feira, 6 de agosto de 2008
Lição do dia.
E a lição do dia, dessa vez, vem na voz de Caio F.: "Ando bem, mas um pouco aos trancos. Como costumo dizer, um dia de salto 7, outro de sandália havaiana". Marcadores: lição do dia
The Optimistic - 17:16:00
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segunda-feira, 4 de agosto de 2008
Lost In Translation - perdido no silêncio.
 Essa é uma das minhas cenas favoritas do filme. Sentado em silêncio ele observa o nada. Cansada da noite de transformações, ela se achega e senta ao seu lado. Nenhuma palavra é dita. É estabelecido o silêncio que apesar de simples tão duramente foi conquistado... Um silêncio que só é possível na cumplicidade plena. Uma falta de palavras que não constrange, acabrunha ou exige qualquer coisa. O tipo de ausência que se estabelece na harmonia. A ausência de palavras que só é atingida quando duas almas transcendem a necessidade de qualquer comunicação verbal. A rara situação em que "num deserto de almas, duas almas em especial se reconhecem de imediato". Bastam-se em apenas gestos ou apenas a imobilidade. Ela deita a cabeça no ombro dele. Em silêncio, vai-se a câmera de Sophia. Marcadores: cinema, lost in translation, reflexões
The Optimistic - 18:50:00
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sábado, 2 de agosto de 2008
Movimento e imobilidade.
Sempre me disseram que o tempo transforma as pessoas. E na estúpida inteligência dos jovens, jamais dei atenção devida a essa observação. Sempre notei certas mudanças na minha personalidade - de algumas até me orgulhei, mas jamais me ocorreu que grande transformação havia se operado em mim de modo desapercebido. E, em verdade, até hoje me resigno a aceitar qualquer mudança tão grande assim, a ponto de transfigurar uma personalidade. Havia também a situação em que um você acorda e já não mais se reconhece. Não, não é esse o caso. Ainda me reconheço todos os dias na frente do espelho. Apenas que começo a perceber que se esvai uma característica muito forte que sempre carreguei comigo: tolerância. Tenho andado meio impaciente para aceitar diferenças e entender motivos alheios. Nessa semana que termina hoje, me vi explodindo ou ombreando em descado pelo menos umas três vezes. Muito, muito estranho para mim.
Não tenho medo desse tipo de mudança. Mas, definitivamente, não considero melhora. Talvez, haja momentos em que fui tolerante demais, permissivo com situações que não deveria ter sido. Mas sempre me considerei geopolítico, estratégico, sabendo o momento certo de recuar para depois avançar. A velha máxima leninista "dois passos a frente, um passo atrás". Sempre acreditei nessa campanha. Vejo isso se perder em mim.
Talvez apenas um momento? Ainda é cedo para dizer. No meio da mudança, muitas vezes não se sabe para onde se vai. Tolerância demais pode levar a imobilidade, mas, por outro lado, rebeldia incontida pode também gerar imobilidade de um tipo pior - o impedimento de qualquer movimento pelo estado-das-coisas não ser cooperativo.
Better watch out.
Marcadores: reflexões, umbigo
The Optimistic - 01:01:00
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sábado, 26 de julho de 2008
A Casa dos Espíritos
Um dos meus filmes favoritos é "A Casa dos Espíritos". Sem querer discursar muito sobre o filme, uma das coisas que mais gosto é uma conclusão que a Blanca abre no início do filme e que só é plenamente compreendida ao final. Diz ela logo no início do filme: "Nossa memória é frágil. Uma vida é um tempo muito breve. Tudo acontece tão rápido que não dá tempo de entender a relação entre os acontecimentos". E ao final compreende que apenas após certo distanciamento ela consegue perceber essa conexão entre os fatos. Cada vez mais tenho essa percepção. Mesmo no curto prazo, certas coisas começam a fazer sentido somente após algum tempo. Assombroso como cada vez mais sinto isso e como cada vez mais proporciona um efeito de tranqüilizar os sentidos e até amortecer certos impactos. Que, ao menos, entender, em certos momentos, já é melhor do que a incompreensão total. Muitas vezes basta esperar para que se revelem os verdadeiros propósitos ou conseqüências no futuro. Onde as conexões serão não estabelecidas - já foram há muito tempo, porém, compreendidas. Marcadores: filmes, reflexões
The Optimistic - 03:43:00
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A Rosa Púrpura do Cairo - de novo.
Reassistindo o final de "A Rosa Púrpura do Cairo" pela ducentésima vez, veio-me uma idéia que nunca antes havia pensado. Cecília troca a personagem do filme pela sua contraparte real. Abandona a fantasia pela solidez da realidade. E tudo cai aos pedaços. Será que estamos tão obcecados pela realidade que desenvolvemos uma espécie de escudo anti-fantasia? Será que volta e meia não é melhor viver a fantasia? De certo, os momentos mais felizes da vida dela foram os que fantasiou. Seja apenas contemplando (suas longas sessões de cinema), seja vivendo a fantasia (o namoro com a personagem do filme). O que fazer? Alternativa (1)
Será que a realidade sempre é melhor? Mesmo quando dói, machuca e deixa marcas no rosto? Alternativa (2) Ou será que vale a pena viver no faz de conta pra ser feliz? Afinal, não seria a felicidade a busca última de qualquer ser humano? (Venha ela por que via for).
No momento, sinceramente, não consigo ver nada contra a Alternativa (2). Marcadores: filmes, woody allen
The Optimistic - 03:35:00
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segunda-feira, 7 de julho de 2008
felicidade clandestina.
hoje fiquei tão feliz que tive vontade de gritar para o mundo. talvez dançar. não sei. ainda to vibrando por dentro. e olha que foi coisa boba. mas foi felicidade grande.
The Optimistic - 21:47:00
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